Design da Turbação - 2015


Projeto para ofendículo Espiral 21 (ou lacraia) para cadeira Serie 7, do Arne Jacobsen
tinta acrílica, nanquim e grafite s/ papel
30 x 20 cm
2015

Estudo n°1 para o Design da Turbação - cadeira Serie 7, do Arne Jacobsen
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015

Design da Turbação - Ofendículo Espiral 21 (ou lacraia) para cadeira Série 7 do Arne Jacobsen 
madeira, aço e ferro
120 x 47 x 80 cm
2015



Projeto para ofendículo Asa de Morcego, para cadeira do Giuseppe Scapinelli
tinta acrílica, nanquim e grafite s/ papel
30 x 20 cm
2015


Estudo n°2 para o Design da Turbação - cadeira do Giuseppe Scappinelli
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015


Ofendículo Asa de Morcego, para cadeira de Giuseppe Scapinelli
madeira, ferro e veludo
150 x 40 x 75 cm
2015


projeto do ofendículo A Beleza da Funcionalidade para cadeira Sedia 1, do Enzo Mari
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/papel
30 x 20 cm
2015



Estudo n°3 para o Design da Turbação - cadeira Sedia 1, do Enzo Mari
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015


Ofendículo A Beleza da Funcionalidade para cadeira Sedia 1 do Enzo Mari
madeira e ferro
95 x 50 x 51 cm
2015



Projeto do ofendículo Bauhaus para cadeira do Gerrit Rietveld
nanquim e tinta acrílica s/ papel
30 x 20 cm
2015



Estudo n°4 para o Design da Turbação - cadeira, do Gerrit Rietveld
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015


Ofendículo Bauhaus, para cadeira do Gerrit Rietveld
madeira e ferro
87 x 70 x 78 cm
2015


Projeto do ofendículo Cobogó, para cadeira U, do Joaquim Tenreiro
nanquim e tinta acrílca s/papel
30 x 20 cm 
2015



Estudo n°5 para o Design da Turbação - cadeira U, do Joaquim Tenreiro
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015


Ofendículo Cobogó, para cadeira U, do Joaquim Tenreiro
madeira, palha e ferro
100 x 58 x 52 cm
2015





Projeto do ofendículo Leque, para cadeira Oscar, do Sergio Rodrigues
nanquim e tinta acrílica s/papel
30 x 20 cm
2015


Estudo n°6 para o Design da Turbação - cadeira Oscar, do Sergio Rodrigues
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015


Ofendículo Leque para cadeira Oscar, do Sergio Rodrigues
madeira, palha e ferro
100 x 70 x 60 cm
2015


Projeto do ofendículo Fita, para cadeira Wassily do Marcel Breuer
nanquim e tinta acrílica s/ papel 
30 x 20 cm
2015


Estudo n°7 para o Design da Turbação - cadeira Wassily, do Marcel Breuer
aquarela, nanquim e tinta acrílica s/ papel
40 x 30 cm
2015



Ofendículo Fita para cadeira Wassily, do Marcel Breuer
aço, couro e ferro
80 x 80 x 70 cm
2015


(in)cômodo n° 2 - Berliner, 2015


Projeto para (in)cômodo n°2 - corte frontal
aquarela e nanquim s/ papel
30 x 20 cm
2015




Projeto para (in)cômodo n°2 - planta baixa
aquarela e nanquim s/ papel
30 x 20 cm


2015


(in)cômodo n°2 - Berliner
instalação - alvenaria, cama de madeira, colchão, travesseiro e vasos de planta
300 x 300 x 400 cm
2015 


detalhe: o livro de paredes, a cama e o travesseiro


 detalhe: o livro de paredes aberto, a cama e o travesseiro

por baixo da cama, vista do interior do cômodo da esquerda


por baixo da cama, vista do interior do cômodo da direita

COMUNICADO - 2015


Intervenção realizada em parceria com o artista Cleverson Salvaro no Solar da Marquesa de Santos, em São Paulo. Na época o então diretor do Museu da Cidade de São Paulo comissionou uma obra de caráter poético/funcional. A ideia era derrubar algumas paredes de uma sala que estava sendo subutilizada pelo corpo burocrático do museu e criar uma passagem para o Beco do Pinto e o Jardim da Casa da Imagem. No entanto, quando estávamos prestes demolir a primeira parede o Departamento do Patrimônio Histórico embargou o projeto e orientou os seguranças a chamarem a polícia caso lá entrássemos portando marretas- até as grades eram tombadas naquele prédio, até as paredes construídas fora do projeto original eram tombadas. Nós tínhamos direito a um chão e uma parede falsa na sala de exposições, e não poderíamos danificar nenhum dos dois. Deslocamos a parede falsa na diagonal dividindo  sala de exposições em dois triângulos. De um lado a parede pintada de branco, emassada, exibia um papel com a palavra COMUNICADO impressa, e nada mais. Do outro lado, o verso da parede, construímos paredes de tijolos em cada um dos nichos que a estrutura oferecia em duas dessas paredes incrustamos duas marretas. A parede permaneceu dividindo a sala por cerca de dois meses, nunca foi tombada, mas foi demolida.








 COMUNICADO 
Daniel Murgel + Cleverson Salvaro
2015



Não confie na sorte, pense! - 2015


Desenhos


 Projeto para a instalação 2 (dois) espelhos e 1 (uma) paisagem
aquarela, nanquim e grafite s/ papel
150 x 150 cm
2015



Desenho de caderninho n° 1
aquarela, nanquim e grafite s/ papel
150 x 300 cm
2015

Desenho de caderninho n° 2
aquarela, nanquim e grafite s/ papel
150 x 300 cm
2015

Desenho de caderninho n° 3
aquarela, nanquim e grafite s/ papel
150 x 300 cm
2015
coleção Museu da Cidade de São Paulo


 Desenho de caderninho n° 4
aquarela, nanquim e grafite s/ papel
150 x 300 cm
2015

Objetos



                                                                                                                      Impermeável n° 1
terra, manqueiras de borracha, concreto e planta (espada de são jorge)
dimensões variáveis
2015


                                                                                                                      Impermeável n° 1
terra, manqueiras de borracha, concreto e planta (espada de são jorge)
dimensões variáveis
2015
Instalação


2 (dois) espelhos e 1 (uma) paisagem  
vista da fachada da galeria


 Detalhe da fachada


 2 (dois) espelhos e 1 (uma) paisagem
instalação - tijolos, cimento, telhas de fibra, água da chuva, canos de pvc e mangueira de borracha
40 x 100 x 300 cm (cada tanque)
2015
Detalhe n°1

Detalhe n° 2

O banco dos egoístas
tijolo e cimento
160 x 120 x 80 cm
2015

 Paisagem / Construção
concreto
50 x 70 x 5 cm
2015

Texto de Maria Montero

Não confie na sorte, pense” 

Ao  escrever, deparamo-nos, inevitavelmente com o branco do papel virtual da tela do computador. Penso que o objeto artístico também parece começar de um mistério branco: do papel, da parede,  do espaço, do tempo. “Tudo aliás é ponta de um mistério” (1). Em 2011, Daniel Murgel, artista carioca, veio tentar a vida no concreto paulistano. Na casa histórica, espremeu-se em uma pequena sala que lhe serviu de ateliê por dois anos. Ocupou buracos. Mas o Rio de Janeiro lhe chamou de volta. Hoje vive e trabalha lá, em cima de um bonito morro, numa casa que ele acredita ter sido morada de escravos, bairro ora apelidado de “Pequena África”, onde o samba começou há 150 anos.  Nesse presente retorno, a sala do Phosphorus serviu-lhe como ateliê e a do segundo andar, da Sé, como espaço expositivo.  Nas paredes pretas desenrolou dez metros de papel branco, cortou-os em pedaços de diferentes tamanhos, trouxe uma planta para lhe fazer companhia e ligou seu aparelho de som com seus rock and rolls. Começou assim. Sempre tantos os caminhos possíveis. Ao considerar a noção de caminho, percurso  e trajetória, poderia optar por desdobrar o texto na ideia de lugar, deslocamento, pertencimento, trânsito. É cristalina a contaminação dessas questões  na produção de Murgel.  São, no entanto, questões demasiado amplas  que aplicam-se à praticamente toda obra contemporânea. Outro caminho seria adentrarmo-nos no campo dos afetos, das intimidades, das questões domésticas, da relação do artista com o espaço e com o entorno. São caminhos. Há também, o caminho que teria como intenção traçar brevemente as questões formais que atravessam a produção do artista: o embate direto com a matéria, a construção escultórica como arquitetura, o trabalho como exercício prático, tijolos, ruínas, arcos, aquedutos, barro, cimento, o precário, espaços como lugar de clausura, grades, muros, guaritas, plantas e jardins, cúpulas, concreto armado, vasos, destruição, memória, cômodos e incômodos. Somado a isso há a presença constante do papel. São simultaneamente dois territórios explorados. Seus desenhos/pinturas feitos a lápis, tinta e aquarela são utopias poéticas disfarçadas de projetos. São anotações, revoluções, desgostos e sim, possuem função de estudo para suas construções. Há uma engenharia poética por trás do caminho. Poderia, quem sabe, escrever um bonito texto apenas com os títulos de seus trabalhos anteriores:  “no ponto onde estou compreendo o silêncio”,  “a casa sem paisagem”, “a casa arruinada nas pedras”, “sobretudo que nada sobra”, “gabarito de memórias”, “ilhas portáteis” e os mais recentes “Foda-se”, “Fora”  e “Não”. Outra opção seria descrever suas inspirações, referências poéticas e conceituais.  No seu processo, duas categorias de literatura foram consultadas, as quais chamamos de “literatura  de ambientação” e “literatura poética”. A de ambientação serviu como instrumento de reconhecimento do lugar e suas especificidades:  o centro da cidade de São Paulo, espelho de paradoxos, onde a arquitetura não consegue esconder a degradação humana, social e política. Encontrou dois livros que lhe serviram como material de apoio: “A boca do lixo”, uma análise de como a sociedade se relaciona com a prostituição, mostrando as entranhas do submundo da capital paulista nas décadas de 60 e 70, por meio de personagens marginalizados. Livro escrito  e protagonizado por Hiroito de Moraes Joanides (considerado um dos bandidos mais famosos de São Paulo) e “Capital da Solidão”, uma história de São Paulo, das origens a 1900”, de Roberto Pompeu de Toledo. 
Ambientado e com os papéis preenchidos de desenhos, escritos e utopias, recorreu à “literatura poética”: olhou, então, para o espelho na obra de Guimarães Rosa, Clarice Lispector e Machado de Assis. Ficou decidido que a sala expositiva não abrigaria os grandes desenhos denominados “Desenho de Caderninho”. O companheiro de estrada, o caderninho,  que acompanha sempre os artistas, aqui tomou escala humana, tornou-se público para ser visitado. Estão ali escancaradas frases, desenhos, gritos  e catarses. A exposição teve nome provisório de: “Pequenas agressões e algumas palavras”. Murgel optou, no entanto, por ocupar a sala que tem vista para o passado histórico-colonial com uma instalação contemplativa: dois espelhos d’água, que refletem o desenho da janela, um banco de três lugares. A obra é movida à chuva, sistematizada de modo que   o espelho recebe a chuva por meio de telhas e o excedente corre por canos que passeiam pela casa até uma cisterna no andar debaixo. Providencial? Perfeitamente adequado ao momento presente? Sim, mas isso se deu por quase acaso, simultaneidade que na arte acaba sendo descrito como arte-vida. Antes de finalizar o labirinto dos caminhos, faltava um. Murgel enviou-me, em uma de nossas conversas que ocorrem por diversas vias virtuais, o link para o documentário sobre o poeta Manoel de Barros: “ontem choveu no futuro”. É ele o poeta que diz ter comprado seu ócio para ficar à disposição da poesia. É possível compreender tantos mundos com essa pequena sentença. “Quando nada acontece há um milagre que não estamos vendo” (2). Murgel debruçou-se na construção do seu espelho, tijolo a tijolo. A humanidade, antes desvendar o espelho plano, de metal, mirou-se nas superfícies de água quieta. Não há maior metáfora de transcendência que  o espelho. Não há maior metáfora do momento presente que a chuva da chuva.  “Como somos no visível?” (3) “Os olhos são a porta do engano. Duvide deles,  não de mim” (4). Mas “a poesia não gosta de ser explicada”  e “se os fatos não correspondem à vida, azar dos fatos” (5).   

(1)(2)(3)(4)ROSA, J. G. O espelho. In: ______. Primeiras estórias. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. (5)CEZAR, P.; ADLER, K.; PAES, M. Só dez por cento é mentira: a desbiografia oficial de Manuel de Barros. [Filme-vídeo] Direção de Pedro Cezar, produção de Kátia Adler e Marcio Paes. Artezanato Eletrônico, 2009. 
















Desenhos para exposição Ofendículo - 2014

idéias para o ofendículo
aquarela, grafite, nanquim e colagem s/ papel
120 x 150 cm
2014
coleção Gilberto Chateaubriand

FODA-SE 
aquarela, grafite, nanquim e colagem s/ papel
130 x 150 cm
2014
coleção Gilberto Chateaubriand

FORA
aquarela, grafite e nanquim s/ papel
110 x 75 cm
2014


NÂO
aquarela, grafite e nanquim, s/ papel
110 x 75 cm
2014
coleção Gilberto Chateaubriand

limitemos nossos afetos
aquarela, grafite, nanquim e colagem s/papel
34 x 28 cm
2014

ali surgiu, no mesmo lugar sobrepoz-se, até que dali separou-se
aguada de nanquim, grafite e colagem s/papel
35 x 27 cm
2014

a praça sonhava com vagabundos namorando
nanquim e colagem s/papel
35 x 27 cm
2014

cáctus
impressão jato de tinta e grafite s/ papel
30 x 21 cm
2014

até os canhões sabem que as balas sucumbem
impressão jato de tinta, colagem e grafite s/ papel
30 x 21 cm
2014