A casa sem paisagem - 2010

Texto de Renato Silva
Seja bem vindo. Abro a ti a casa construída sobre os cacos de minhas lembranças e esta se finca n`algum ponto entre o que me lembro e o que esqueço, todos os dias. Intervalos insistentes numa ausência que atrofia e se completa. Esgrouvinhada a alma.
Possivelmente tenha exagerado no desapego às complicações dos dias em troca da lucidez a qual me agarro e somente dessa maneira, consegui estabelecer o meu alicerce. Talvez como forma de entender o meio em que um dia não vivi, reverbero nesse cubículo, habitando-o, não alheio ao todo.
Não se enganem. Não há aqui qualquer solidão e tampouco aplicarei mísera força num músculo sequer, em busca do caos externo. Sou sabedor dos horizontes ralos que nos reserva essa falta de desejo. Acostumei-me a construir o nada. Lúcido, transparente.
O aconchego deste meu lar – isso o que se põe mais caro - tomou forma com o sentar dos tijolos. Um a um, na sutil leveza dos movimentos, apontam minha descompassada geometria, como marcadores temporais de infinitas memórias.
Varias são as incongruências por mim entendidas e vividas no passar dos dias. No movimento mais ousado, confronto-me em várias batalhas que se concretizam por não haver oponente qualquer. Não os culpo. São também minhas as impossibilidades dessa luta. Estranha síntese de um processo inteiro, composto do velado enfrentamento como forma de existência. Silencio-me e em troca construo o meu conforto.
Para além de qualquer espera, por hora, parto. Companheiros me saúdam a angústia e desejo em escalas indefinidas. Somente peço o cuidado para que não se esbarre nessa generosa hospitalidade. Há muito de mim aqui e o caminho mais indicado para que apreciem o conforto oferecido é a espera. Caso seja um visitante de boa ventura, encontra-me nesta ausência junto a ti. Vivendo e dissimulando.
Tome, é tua a casa. Use-a, pois, como bem entender. Tens a ela, tens a mim.
Não volto logo.

visão externa da galeria (anexo -Galeria Laura Marsiaj)

'paisagem', 'projeto para o aquário' e 'o tabuleiro de xadrez'



paisagem
tijolo, cimento e moldura de madeira
dimensões variáveis
coleção particular


O tabuleiro de xadrez - sobre a incapacidade de lutar
tabuleiro de xadrez adaptado, acrílico e água
40 x 40 cm
coleção particular



projeto para o aquário
aquarela, têmpera, caneta e nanquin s/ papel
110 x 80 cm
coleção gilberto chateaubriand








o aquário - sobre a lucidez da solidão
aquario de vidro, cimento, mini-tijolos, areia, terra, água e ficus
35 cm diâmetro x 25 cm altura
coleção gilberto chateaubriand

A porta e a janela - sobre a incapacidade de ver
e a impossibilidade de fuga



a janela - sobre a incapacidade de ver
têmpera s/ compensado e esquadria de janela de madeira
100 x 120 cm (fechada)




a porta - sobre a impossibilidade de fuga
têmpera s/ compensado e esquadria de porta de madeira
240 x 120 cm (fechada)

projeto para o berço
aquarela, naquin, têmpera e caneta s/ papel

110 x 80 cm
coleção gilberto chateaubriand





O Berço
vergalhão, madeira, areira, vaso de planta e ficus
250 x 160 x 100 cm
coleção gilberto chateaubriand

O Cubículo, o labirinto dos ímpios e o pé de feijão - 2010


esudos no caderno
21 x 29 cm


estudo para instalação
aquarela s/ papel
30 x 20 cm



instalação
tijolos, cimento, areia, água, pigmento vermelho, terra, miniatura de casa, pés de feijão.
150 cm diâmetro

18/05 - 05/07 - Experiencia Isleña; libertad (in) condicional - 2009

Eu não sou muito de escrever observações, ou explicações sobre meus trabalhos. Mas neste caso achei que merecesse umas anotações livres, para melhor compreensão de todos (mas quem não quiser ler, tem imagens mais abaixo):

Passei 42 dias em Buenos Aires, participando de um programa de residência chamado Arte in Loco com curadoria de Beatriz Lemos e Pablo Terra. O trabalho que desenvolvi estava extremamente ligado à minha experiência/vivência na cidade e à convivência com os outros artistas do programa. Aos poucos juntei livros que comprei na cidade, li e intervi com rasuras; desenhos que fiz das situações que me chamavam atenção na cidade, anotações e colagens que juntos viraram um livro artesanal; minha cama, que era meu único ambiente de privacidade; meu ténis, que foi aposentado na em Buenos Aires; fotografias que fiz de situações especificas da cidade... enfim, reuni tudo isso na galeria de forma que simulasse minha saída repentina, como se eu tivesse acabado de deixar o recinto.
De maneira geral os elementos deste trabalho discutem as liberdades e privações a que estamos sujeitos: as fotos são de apartamentos gradeados, praças gradeadas, túmulos gradeados, animais no zoológico; li o livro "Los Isleros" e nele fui riscando com uma caneta cada linha, cada página, uma a uma, deixando apenas algumas palavras e frases que de alguma maneira se referiam a questões como liberdade, prisão, guerra, o comportamento de um 'islero'...estas palavras que restaram, lidas de uma vez, dão outro sentido ao livro, um pouco mais poético; os desenhos e anotações de alguma maneira mapeiam ironicamente a arquitetura da cidade evidenciando os dispositivos de isolamento dos cidadãos, além de apresentar notinhas e panfletos de lugares por onde passei; a cama é de fato uma cama do hostel onde fiquei , e fiz questão de manter as adaptações realizadas para ter um pouco mais de privacidade e escuridão. Mas esta configuração, que consiste em utilizar cobertores como cortinas, tanto pode ser de uma viajante num hostel como de um condenado na prisão. Os prisioneiros fazem o mesmo em suas camas. Mas eu não vou ficar aqui falando muito. Vejam as imagens.

"Com intervenciones en libros comprados em las calles porteñas, Daniel sintetiza el sentimiento de soledad de un viajante (ou un islero) que tiene como único puerto seguro el lugar en el que reposa. De esta manera, la cama del hostel El Aleph se configura como un refugio al que el artista nos invita a entrar. Fotos y dibujos encuadernados como libro confidencian instantes passados aquí, como un diario de a bordo repleto de vestigios y resquicios de viaje."
trecho do texto escrito por Beatriz Lemos

agradecimentos a Joana Traub Csëko e Juliana Gontijo pelas fotos e a Loreto Garin, artista de BA que me ajudou a montar o livro.
Confiram mais sobre o Projeto Arte In Loco em: http://inlocoproject.blogspot.com/

Estudo para instalação
aquarela e caneta s/ papel
29,7 x 21 cm
2009

vista da instalação

detalhe do canto onde ficavam os livros,
o tênis e o desenho da instalação

detalhe de dentro da cama, onde os visitantes podiam
entrar e ver fotografias coladas na parede

detalhe de um canto da instalação com o tênis e os livros
Abaixo, imagens de alguns trechos do livro feito artesanalmente com originais em aquarela e colagens desenvolvidas durante o tempo que passei em Buenos Aires. (dos outros dois livros eu ainda não tenho imagem)



(capa do livro)

(trechos do livro)

(trechos do livro)


(trechos do livro)

Série das gaiola - 2008/09


Projeto para gaiola popular
aquarela e canetas s/ papel
100 x 70
2008
coleção particular


Projeto para gaiola convencional
acrílica, aquarela e canetas s/ papel
70 x 100 cm
2008
coleção particular

Projeto para gaiola luxo
aquarela e canetas s/ papel
100 x 70 cm
2008
coleção particular

Projeto para gaiola super luxo
aquarela e canetas s/ papel
100 x 70 cm
2008
coleção particular

Gaiola popular
objeto - madeira, aquarela, cimento e armadilha para ratos
12 x 29,5 x 16,5 cm
2009
coleção particular

Gaiola convencional
objeto - cerâmica, cimento, madeira, vasilha plástica e gaiola para pássaros
35 x 45 x 23 cm
2008
coleção particular

Gaiola Luxo
objeto - isopor, cimento, massa corrida, tinta acrílica, cerâmica, grama sintética e gaiola de pássaros
33 x 33 x 17 cm
2009
coleção particular

Gaiola Super Luxo
objeto - isopor, cimento, massa corrida, tinta acrílica, cerâmica, madeira e gaiola de pássaros.
104 x 60 x 43,5 cm
2009
coleção particular

A casa arruinada nas pedras - 2008 / 09

"construí (num paralelepípedo que achei solto na minha rua) uma pequena casinha de 2 andares. no terraço havia uma plantação de morangos silvestres e na entrada uma área aberta e gramada. ela ficava no meio dos vasos aglomerados e após a passagem do furacão Metropolitan ficou completamente arruinada e ganhou autonomia. foi semi-reconstruída com seus cacos. a tragédia foi em meados de julho de 2008.."




a casa arruinada nas pedras
mista s/ papel
100 x 140 cm
2008/09

objeto
37 x 22 x 20 cm

O Acrobata e os serrotes invisíveis - 2008


o acrobata e os serrotes invisíveis
técnica mista s/ papel e vaso de planta adaptado
aprox. 200 x 100 cm (políptico)
2008
coleção particular

gaiola #3 - churrasqueira quase casa, gaiola quase quintal



gaiola #3 - churrasqueira quase casa, gaiola quase quintal
aquarela e canetas s/ papel
100 x 70 cm
2008
coleção particupar


objeto
48 x 42,5 x 22cm

a gaiola #2 - adaptação sobre a paisagem - 2009

Esta gaiola foi realizada em 2008, mas em 2009 sofreu alterações e ganhou um desenho.



Projeto para gaiola #2 adaptação sobre a paisagem
aquarela e canetas s/ papel
75 x 55 cm
2009






a gaiola #2 -adaptação sobre a paisagem
objeto - gaiola, grama sintética, mini-tijolos, mini-telhas, cimento, areia e vasilha plástica
50 x 28 x 28 cm
2008

Depois da natureza (morta) a paisagem



depois da natureza (morta) a paisagem - projeto de instalação
aquarela e canetas s/ papel
110 x 75 cm (díptico)
2008
coleção particular

A gaiola e a casa em perspectiva



A gaiola e a casa em perspectiva
aquarela e canetas s/ papel
80 x 70 cm (tríptico)
2008
coleção particular

A gaiola



A gaiola - desenho
aquarela e canetas s/ papel
100 x 70 cm
2008
coleção particular





objeto
22 x 36 x 19 cm
2008

Oceano pacífico ou casa alagada



oceano pacífico ou casa alagada
aquarela e canetas s/ papel
135 x 110 (políptico 12 partes)
2008
coleção particular

Aglomerado de vasinhos - desenho e instalação

Este trabalho é resultado da união de alguns vasos de plantas que criei, ora construindo, ora reaproveitando objetos.
As fotos abaixo foram feitas na exposição "Desenho em todos os sentidos" que está espalhada pelos SESCs da região serrana durante o festival de inverno que está acontecendo. A curadoria é de Marcelo Campos.


projeto para "aglomerado de vasinhos"
aquarela s/ papel
200 x 140 cm
2008
coleção gilberto chateaubriand

na exposição "desenho em todos os sentidos" (sesc petrópolis)

a instalação (sesc petrópolis)
200 x 100 x 100 cm
2008

Gabarito de memórias - 2008



projeto para instalação "gabarito de memórias"

aquarela s/ papel

100 x 140 cm (díptico)

2008

Ilhas Portáteis - 2007

Fiz esta série no final do ano passado. Foi a minha primeira experiência com vasos de planta, cimento, tijolos..em miniatura. É um processo bem parecido com o do desenho. Esta série possui mais um vaso, a ilha para não cuidar, que era com uma arvorezinha falsa.

Ilha Portátil - para cuidar
objeto - vaso de planta, mini tijolos, cimento, grama sintética. terra e muda de ficus
40 x 45cm (dimensões do vaso)

Projeto para aparelho de som (quebrado) reutilizado - 2008

A partir de uma aparelho de som quebrado tive a idéia de criar uma espécie de pracinha.
Fiz a experiência de construir o objeto ao mesmo tempo em que desenhava. A idéia de projeto ainda existe neste desenho, mas também acho que no caso traz outras informações. Este desenho é um projeto de desenho, na verdade. Eu o represento já emoldurado e pendurado na parede. Sendo assim, se abstrairmos um pouco, da pra imaginar que este desenho não existe. Ou não?
Ele receberá uma moldura que seja a mais parecida com a representada no projeto.

Já o objeto, está evoluindo..a planta está crescendo (peguei ela de uma parede de concreto) e na parte superior eu plantei feijão..que tb está crescendo...


projeto para aperelho de som (quebrado) reutilizado

aquarela s/ papel

76 x 114 cm (díptico)

2008

coleção particular


aparelho de som (quebrado) reutilizado
objeto - aparelho de som, grama sintética, mini tijolos, cimento, terra e muda de ficus.
25 x 25 x 40 cm